Curiosidades - Informações
O inimigo silencioso
SANTUÁRIO DE SOROCABA
Os chimpanzés civilizados, que viveram toda uma vida em cativeiro, não têm a experiência para lidar com os perigos que existem na natureza. Os de vida livre aprendem com pais e avós a defender-se de todo tipo de inimigos, assim como a praticar uma medicina curativa e preventiva a base de folhas, minerais, flores e raízes.
Sempre temos uma preocupação permanente de afastar os inimigos mais perigosos dos recintos dos chimpanzés e dos primatas em geral. Sorocaba é uma área em que aparecem cobras peçonhentas como cascavel (Crotalus durissus terrificus) e jararaca (Bothrops jararaca). Lembro que o primeiro susto que recebemos quando tomamos posse do primeiro sítio que compramos na área, que depois virou o Santuário do GAP, quando minha esposa e eu andávamos perto do lago, foi uma enorme cascavel que cruzou perto de nossos pés. Em 15 anos capturamos mais de 50 cascaveis e jararacas na área, que colocamos em nosso fosso para cobras peçonhentas e depois de certo tempo encaminhamos para o Instituto Butantan. As jiboias e outras cobras menores não peçonhentas apenas re-localizamos, quando ficam perto do Santuário, já que elas cumprem um extraordinário trabalho de limpeza de roedores, junto com as corujas, que têm dezenas delas em vida livre.
Recentemente o inimigo silencioso apareceu de novo e nos últimos dias apanhamos duas jararacas jovens nos recintos de Mônica e Bongo, o que indica que uma mãe adulta está perto, na mata, produzindo filhotes. Essas cobras peçonhentas jovens são mais perigosas que as adultas, porque se escondem com facilidade e provocam acidentes freqüentes.
Quando os chimpanzés bebês começavam a andar pela mata, levamos várias vezes jiboias e mostramos o perigo que elas ofereciam se tentassem pegá-las. A tendência do chimpanzé sem experiência, muitas vezes, é pegar qualquer bicho que descobre, como fazem com roedores, sapos, passarinhos, lagartos, etc. e têm surpresas inesperadas. Quando eram bebês tinham medo dos sapos e corriam quando eu os pegava e os mostrava, agora adolescentes, o medo foi embora e eles tentam fazer o mesmo.
Alguns, como Junior, têm costumes esquisitos. Dias atrás vi que ele não veio pegar o seu prato quente no almoço e quando observei estava com um grande sapo vivo na mão, comendo-o com delícia. Em seu recinto, nos cantos, ele abre buracos quando suspeita que tem sapos escondidos. Essa prática de caça já o machucou quando tentou pegar um ouriço, que o espetou na mão.
Não só os chimpanzés estão em perigo, pelo inimigo silencioso, que são as cobras peçonhentas, algumas já entraram em recintos e comeram sagüis e mataram até macacos pregos, apesar da esperteza que estes macacos têm.
A vida na floresta africana para os grandes primatas não é fácil, quando imaginamos os perigos a que são submetidos, e os poucos recursos de que dispõem para defesa. Porém, talvez, o inimigo principal que os grandes primatas têm, não é silencioso, peçonhento, nem rasteja, mas tem um poder imenso de destruição, que são os humanos. Algum dia – é nossa esperança – a humanidade aprenderá a entender a natureza, e seus componentes, protegendo os mais fracos, no lugar de exterminá-los.
Dr. Pedro A Ynterian
Presidente, Projeto GAP Internacional
Os chimpanzés civilizados, que viveram toda uma vida em cativeiro, não têm a experiência para lidar com os perigos que existem na natureza. Os de vida livre aprendem com pais e avós a defender-se de todo tipo de inimigos, assim como a praticar uma medicina curativa e preventiva a base de folhas, minerais, flores e raízes.
Sempre temos uma preocupação permanente de afastar os inimigos mais perigosos dos recintos dos chimpanzés e dos primatas em geral. Sorocaba é uma área em que aparecem cobras peçonhentas como cascavel (Crotalus durissus terrificus) e jararaca (Bothrops jararaca). Lembro que o primeiro susto que recebemos quando tomamos posse do primeiro sítio que compramos na área, que depois virou o Santuário do GAP, quando minha esposa e eu andávamos perto do lago, foi uma enorme cascavel que cruzou perto de nossos pés. Em 15 anos capturamos mais de 50 cascaveis e jararacas na área, que colocamos em nosso fosso para cobras peçonhentas e depois de certo tempo encaminhamos para o Instituto Butantan. As jiboias e outras cobras menores não peçonhentas apenas re-localizamos, quando ficam perto do Santuário, já que elas cumprem um extraordinário trabalho de limpeza de roedores, junto com as corujas, que têm dezenas delas em vida livre.
Recentemente o inimigo silencioso apareceu de novo e nos últimos dias apanhamos duas jararacas jovens nos recintos de Mônica e Bongo, o que indica que uma mãe adulta está perto, na mata, produzindo filhotes. Essas cobras peçonhentas jovens são mais perigosas que as adultas, porque se escondem com facilidade e provocam acidentes freqüentes.
Quando os chimpanzés bebês começavam a andar pela mata, levamos várias vezes jiboias e mostramos o perigo que elas ofereciam se tentassem pegá-las. A tendência do chimpanzé sem experiência, muitas vezes, é pegar qualquer bicho que descobre, como fazem com roedores, sapos, passarinhos, lagartos, etc. e têm surpresas inesperadas. Quando eram bebês tinham medo dos sapos e corriam quando eu os pegava e os mostrava, agora adolescentes, o medo foi embora e eles tentam fazer o mesmo.
Alguns, como Junior, têm costumes esquisitos. Dias atrás vi que ele não veio pegar o seu prato quente no almoço e quando observei estava com um grande sapo vivo na mão, comendo-o com delícia. Em seu recinto, nos cantos, ele abre buracos quando suspeita que tem sapos escondidos. Essa prática de caça já o machucou quando tentou pegar um ouriço, que o espetou na mão.
Não só os chimpanzés estão em perigo, pelo inimigo silencioso, que são as cobras peçonhentas, algumas já entraram em recintos e comeram sagüis e mataram até macacos pregos, apesar da esperteza que estes macacos têm.
A vida na floresta africana para os grandes primatas não é fácil, quando imaginamos os perigos a que são submetidos, e os poucos recursos de que dispõem para defesa. Porém, talvez, o inimigo principal que os grandes primatas têm, não é silencioso, peçonhento, nem rasteja, mas tem um poder imenso de destruição, que são os humanos. Algum dia – é nossa esperança – a humanidade aprenderá a entender a natureza, e seus componentes, protegendo os mais fracos, no lugar de exterminá-los.
Dr. Pedro A Ynterian
Presidente, Projeto GAP Internacional





