Curiosidades - Informações
Sofia: precocidade além do normal
SANUTÁRIO DE SOROCABA
No Santuário dos Grandes Primatas de Sorocaba, o nascimento de Sofia e a necessidade de ser cuidada por pessoas não trouxe nenhuma novidade, já que outros chimpanzés haviam sido criados assim (todos provenientes de um extinto criadouro comercial). O que chama a atenção no caso de Sofia é sua precocidade em alguns atos e aprendizados. Sabe-se que em cativeiro, em função de um ambiente tranqüilo, longe de fontes de perigo (como predadores, por exemplo) o desenvolvimento dos bebês é mais rápido que o natural e passam a explorar o ambiente por si só. Relatos científicos dizem que os filhotes, em vida livre, começam a caminhar e se locomover sozinhos entre o 4º e 6º mês. Na natureza, até então, eles ficam seguros no ventre da mãe, e todo deslocamento é feito pela genitora que o carrega para todos os lugares. Sofia, com pouco mais de 2 meses já dava sinais de sua precocidade ao emitir sons, reconhecer pessoas à sua volta e também se arrepiar ao notar algo errado e ameaçador, tal como os chimpanzés fazem. A exploração do ambiente também se iniciou com esse tempo de vida. Para deixa-la a vontade, uma sala dentro da casa foi adaptada, tampando-se as saídas de energia, forrando os cantos e bloqueando as portas e passagens com madeiras e almofadas. Como outra alternativa, uma gaiola também foi adaptada para ela, com um ambiente estimulante e desafiador, com cordas e brinquedos diversos, o que é benéfico e fundamental para suas necessidades psicológicas e sociais.
É só deixa-la no chão que começava a vaguear, ameaçando engatinhar por toda a área. Como chimpanzé que é, se agarra firmemente em toalhas, cordas e cortinas, fazendo seu apoio. E isso com apenas alguns meses. Por outro lado, só se mostra exploradora se alguém de confiança está ao seu lado. Sem seu “porto seguro”, Sofia se contém em ficar em determinado lugar. Neste caso, sua segurança maior é sua mãe adotiva, a tratadora Daniela. Grande parte do dia (e da noite) Sofia está sob as atenções de sua mãe, mas também tem outras “babás” que revezam quando necessário. Sua preferência por Daniela não é anormal. Pelo contrário. É característica dos chimpanzés escolherem uma pessoa de maior confiança, sem que o cuidado aloparental (o cuidado entre outras “babás”) seja dispensado, assim como é na natureza (neste caso, a mãe pode revezar o cuidado do bebê com o pai, irmãos e outros membros do grupo).
Hoje, com pouco mais de 4 meses, sua alimentação ainda é baseada em leite infantil, mas já inclui alimentos sólidos (como frutas e legumes) pois seus dentes estão surgindo a cada dia e a aceitação vem sendo muito boa.
A precocidade de Sofia tem sua possível explicação na maneira com a qual ela se relaciona com seu ambiente. Sendo cuidada por humanos, é inevitável que determinadas características sejam copiadas. Assim como um bebê humano, chimpanzés aprendem, copiam e seguem seus pais. Aos poucos, porém, Sofia terá seu vínculo com os humanos diminuído, sendo substituído pelos chimpanzés. Hoje, por experiência e histórico de outros primatas que vivem no Santuário, sabemos que o melhor para ela é esse rompimento e a formação de novos laços entre seus iguais. A preocupação de não privá-la totalmente de suas raízes faz com que diariamente a levemos para perto de seus pais (Guga e Samantha) e dos demais membros do grupo. Esse é o momento em que os laços vão se firmando, o momento em que Sofia ouve sons, sente a presença de outro chimpanzé e assim, vai se acostumando com seu futuro grupo.
Vemos, portanto, que todos os cuidados estão sendo tomados para que em breve Sofia possa viver entre seus irmãos, afinal, por mais que a humanizemos, Sofia não deixará de ser um chimpanzé, e como tal, sempre terá necessidades que somente seus semelhantes poderão suprir.
MSc. Luiz Fernando Leal Padulla
Biólogo
No Santuário dos Grandes Primatas de Sorocaba, o nascimento de Sofia e a necessidade de ser cuidada por pessoas não trouxe nenhuma novidade, já que outros chimpanzés haviam sido criados assim (todos provenientes de um extinto criadouro comercial). O que chama a atenção no caso de Sofia é sua precocidade em alguns atos e aprendizados. Sabe-se que em cativeiro, em função de um ambiente tranqüilo, longe de fontes de perigo (como predadores, por exemplo) o desenvolvimento dos bebês é mais rápido que o natural e passam a explorar o ambiente por si só. Relatos científicos dizem que os filhotes, em vida livre, começam a caminhar e se locomover sozinhos entre o 4º e 6º mês. Na natureza, até então, eles ficam seguros no ventre da mãe, e todo deslocamento é feito pela genitora que o carrega para todos os lugares. Sofia, com pouco mais de 2 meses já dava sinais de sua precocidade ao emitir sons, reconhecer pessoas à sua volta e também se arrepiar ao notar algo errado e ameaçador, tal como os chimpanzés fazem. A exploração do ambiente também se iniciou com esse tempo de vida. Para deixa-la a vontade, uma sala dentro da casa foi adaptada, tampando-se as saídas de energia, forrando os cantos e bloqueando as portas e passagens com madeiras e almofadas. Como outra alternativa, uma gaiola também foi adaptada para ela, com um ambiente estimulante e desafiador, com cordas e brinquedos diversos, o que é benéfico e fundamental para suas necessidades psicológicas e sociais.
É só deixa-la no chão que começava a vaguear, ameaçando engatinhar por toda a área. Como chimpanzé que é, se agarra firmemente em toalhas, cordas e cortinas, fazendo seu apoio. E isso com apenas alguns meses. Por outro lado, só se mostra exploradora se alguém de confiança está ao seu lado. Sem seu “porto seguro”, Sofia se contém em ficar em determinado lugar. Neste caso, sua segurança maior é sua mãe adotiva, a tratadora Daniela. Grande parte do dia (e da noite) Sofia está sob as atenções de sua mãe, mas também tem outras “babás” que revezam quando necessário. Sua preferência por Daniela não é anormal. Pelo contrário. É característica dos chimpanzés escolherem uma pessoa de maior confiança, sem que o cuidado aloparental (o cuidado entre outras “babás”) seja dispensado, assim como é na natureza (neste caso, a mãe pode revezar o cuidado do bebê com o pai, irmãos e outros membros do grupo).
Hoje, com pouco mais de 4 meses, sua alimentação ainda é baseada em leite infantil, mas já inclui alimentos sólidos (como frutas e legumes) pois seus dentes estão surgindo a cada dia e a aceitação vem sendo muito boa.
A precocidade de Sofia tem sua possível explicação na maneira com a qual ela se relaciona com seu ambiente. Sendo cuidada por humanos, é inevitável que determinadas características sejam copiadas. Assim como um bebê humano, chimpanzés aprendem, copiam e seguem seus pais. Aos poucos, porém, Sofia terá seu vínculo com os humanos diminuído, sendo substituído pelos chimpanzés. Hoje, por experiência e histórico de outros primatas que vivem no Santuário, sabemos que o melhor para ela é esse rompimento e a formação de novos laços entre seus iguais. A preocupação de não privá-la totalmente de suas raízes faz com que diariamente a levemos para perto de seus pais (Guga e Samantha) e dos demais membros do grupo. Esse é o momento em que os laços vão se firmando, o momento em que Sofia ouve sons, sente a presença de outro chimpanzé e assim, vai se acostumando com seu futuro grupo.
Vemos, portanto, que todos os cuidados estão sendo tomados para que em breve Sofia possa viver entre seus irmãos, afinal, por mais que a humanizemos, Sofia não deixará de ser um chimpanzé, e como tal, sempre terá necessidades que somente seus semelhantes poderão suprir.
MSc. Luiz Fernando Leal Padulla
Biólogo





