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Altruísmo: verdade ou invenção?

Jango e Junior (Projeto GAP)
 
Jango e Junior (Projeto GAP)
A recente pesquisa publicada na revista PLOS ONE sugere que, ao contrário do que acontece com o ser humano, os chimpanzés raramente realizam atos de altruísmo voluntário, sendo necessário haver um pedido de ajuda. É um estudo curioso, primeiro porque generalizaram. Segundo por levarem em consideração apenas seres trancafiados em jaulas, longe de condições adequadas. E depois, por nos fazer pensar se realmente existe o verdadeiro altruísmo.

Por definição, altruísmo é o amor desinteressado ao próximo; ajudar sem querer nada em troca. Agora, será que realmente isso existeω Sempre que se faz o bem a alguém, sempre se pensa que “mais para frente terei o retorno”. É inevitável que façamos o bem e nos sintamos bem. Mas nunca fazemos sem intenção. Madre Tereza, Gandhi e cia faziamω Creio que não. Pois a partir do momento que realizavam seus feitos, sempre projetavam o retorno espiritual, seja divino ou de outra forma. Portanto, não existe o puro altruísmo.

Não estou condenando, de maneira nenhuma, os atos de benevolência. O que quero dizer aqui é que quando se faz o bem a alguém, nunca se faz pura e simplesmente sem intenção. Muito menos partindo do ser humano.

Entre os chimpanzés de vida livre e aqueles que vivem no Santuário de Sorocaba, vemos que existem chimpanzés solícitos e outros mais egoístas – tal como os seres humanos. Jango e Júnior, por exemplo. Quando levamos comida caseira para eles, Jango sempre pega os dois potes. Mas logo que Júnior chega perto e vê a comida, prontamente Jango entrega-lhe uma das vasilhas. E, em termos de liderança, Jango é quem manda, razão pela qual não teria que partilhar a comida. E por que ele faz issoω Por amizade e ajuda a Júniorω Pode ser. Assim, poderíamos dizer que se existisse um altruísmo verdadeiro, os chimpanzés seriam a espécie que mais se aproxima desse feito, e não o homem. E, portanto, dizer que “o traço humano de ajudar outros voluntariamente pode ter evoluído a partir do mesmo comportamento observado nos primatas” é utopia pura.

Por outro lado, pode ser que Jango saiba que mais para frente poderá precisar da ajuda de Júniorω Também pode ser. E isso, automaticamente, influi que eles têm noção de tempo futuro.

Assim, se esses humanos primitivos também estão próximo de um altruísmo verdadeiro e têm noção do tempo, por que a ciência continua a negarω Simplesmente porque é o que interessa aos cientistas. Não é interessante que essas pessoas/pesquisadores admitam a temporalidade e consciência nos outros grandes primatas. Caso contrário, teriam que rever seus testes laboratoriais e farmacológicos, por exemplo. Negar a humanidade nos outros primatas é ignorância, mas é o único meio para que pesquisas científicas invasivas sejam possíveis com argumentações falsas de que são “meros animais”. Por mais que não se prove por A+B esses sentimentos e consciência, não quer dizer que eles não existam. A frieza científica é condenável e a estupidez humana, abominável.

MSc. Luiz Fernando Leal Padulla
Biólogo