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Santuários: mais que simples cativeiros

SANTUÁRIO DE SOROCABA

Serge K. Soiret – nosso correspondente na África - tem observado comportamentos interessantes dos chimpanzés que ainda conseguem viver em vida livre nas florestas africanas na Costa do Marfim. Uma dessas observações foi em relação ao tipo de alimento e o local preferido por eles para realizarem suas refeições.

Em cativeiro, os chimpanzés carregam em seu DNA esses hábitos de escolher os lugares e o tipo de comida. Johnny, por exemplo, come sua maionese com gosto, dentro de seu túnel, de onde tem visão da estrada e das pessoas que por lá passam. Além disso, cuidadosamente, a cada colherada que dá, Johnny vai separando os pedaços de cenoura em sua boca para depois cuspi-los, já que esse tipo de legume não lhe agrada.

Pongo, por sua vez, também tem seu lugar preferido para tomar suco e comer suas frutas: sentado à janela. E não é difícil tirar essa conclusão, pois as caixas vazias e as cascas e restos que se acumulam nesse local são as provas.

Billy, aproveitando o novo túnel de 40 metros de extensão que fica no meio da mata e tem um salão no meio, também carrega suas comidas e brinquedos para lá, pois é onde passa grande parte do tempo observando mais de perto a natureza e seus atrativos, como as borboletas e os pássaros com seus cantos.

Isso é liberdade de escolha. Por mais que vivam cativos, devem ter essa opção em suas vidas. Se quiserem ir para o túnel, ou para uma janela olhar e interagir com seu vizinho, que vão. Se quiserem ficar no quarto, que fiquem. A escolha é deles. Não são obrigados a nada. Fazem o que querem. Uma maneira digna de se tratar esses seres humanos primitivos, que independentemente do ambiente, têm suas necessidades, características e personalidades. E como todos sabem, respeito é bom e todo mundo gosta.

MSc. Luiz Fernando Leal Padulla
Biólogo