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A DEPENDÊNCIA DOS HUMANOS
Nos diversos resgates de grandes primatas realizados por nós nestes 10 anos, temos observado um denominador comum, e quanto aos maus tratos se refere. Os chimpanzés, geralmente, mantidos em pequenas gaiolas, que circulam em grandes carretas, de cidade em cidade, e também muitos em zoológicos, criam uma dependência com seus tratadores, domadores e “donos” através da água.
Cada vez que vamos ver Alex em seu recinto, em Sorocaba, ele vem com uma garrafa vazia e nos pede água. No início não entendíamos isso, já que todos os recintos têm pontos com água corrente constante, onde eles bebem, ou enchem as garrafas com a mesma. Alex, durante mais de 20 anos engaiolado, precisava da água externa e da boa vontade de alguém para fornecê-la. À pessoa que dava água, ele recompensava com um gesto, um “grooming”, um tapinha ou qualquer manifestação de agradecimento.
Na polêmica sobre o caso do chimpanzé Jimmy, na matéria publicada no Jornal do Brasil do dia 31 de janeiro, vemos Jimmy em sua jaula, com uma garrafa pet vazia perto dele. Aquele é o símbolo da dependência e da escravidão, se ele não se comportar bem morre de sede, o que é mil vezes pior do que morrer de fome.
Os chimpanzés do Lê Cirque andavam em gaiolas enferrujadas pelo Brasil, amarrados pelo pescoço e só tinham acesso a água quando os tratadores se lembravam deles. O chimpanzé Vitor, também acorrentado dentro de uma pequena carreta, só tomava água quando alguém externo lhe dava. Nas dezenas de chimpanzés do extinto Circo Garcia, nenhuma gaiola tinha água, uma ou mais vezes por dia, os tratadores passavam de gaiola em gaiola com uma mangueira dando água, se era mais ou era menos, ninguém queria saber. A SEDE era a forma de quebrar qualquer resistência e converter aqueles extraordinários seres em meigos e bonzinhos.
Existe tortura maior do que dosificar a água a qualquer ser?
Isso continua sendo feito em centenas de locais no mundo e ainda temos a ousadia de nos qualificarmos de “humanos” ...
Dr. Pedro A Ynterian
Presidente, Projeto GAP Internacional
Notícia relacionada:
http://www.projetogap.org.br/pt-BR/noticias/Show/2776,chimpanze-de-niteroi-esta-no-centro-de-disputa-judicial
Nos diversos resgates de grandes primatas realizados por nós nestes 10 anos, temos observado um denominador comum, e quanto aos maus tratos se refere. Os chimpanzés, geralmente, mantidos em pequenas gaiolas, que circulam em grandes carretas, de cidade em cidade, e também muitos em zoológicos, criam uma dependência com seus tratadores, domadores e “donos” através da água.
Cada vez que vamos ver Alex em seu recinto, em Sorocaba, ele vem com uma garrafa vazia e nos pede água. No início não entendíamos isso, já que todos os recintos têm pontos com água corrente constante, onde eles bebem, ou enchem as garrafas com a mesma. Alex, durante mais de 20 anos engaiolado, precisava da água externa e da boa vontade de alguém para fornecê-la. À pessoa que dava água, ele recompensava com um gesto, um “grooming”, um tapinha ou qualquer manifestação de agradecimento.
Na polêmica sobre o caso do chimpanzé Jimmy, na matéria publicada no Jornal do Brasil do dia 31 de janeiro, vemos Jimmy em sua jaula, com uma garrafa pet vazia perto dele. Aquele é o símbolo da dependência e da escravidão, se ele não se comportar bem morre de sede, o que é mil vezes pior do que morrer de fome.
Os chimpanzés do Lê Cirque andavam em gaiolas enferrujadas pelo Brasil, amarrados pelo pescoço e só tinham acesso a água quando os tratadores se lembravam deles. O chimpanzé Vitor, também acorrentado dentro de uma pequena carreta, só tomava água quando alguém externo lhe dava. Nas dezenas de chimpanzés do extinto Circo Garcia, nenhuma gaiola tinha água, uma ou mais vezes por dia, os tratadores passavam de gaiola em gaiola com uma mangueira dando água, se era mais ou era menos, ninguém queria saber. A SEDE era a forma de quebrar qualquer resistência e converter aqueles extraordinários seres em meigos e bonzinhos.
Existe tortura maior do que dosificar a água a qualquer ser?
Isso continua sendo feito em centenas de locais no mundo e ainda temos a ousadia de nos qualificarmos de “humanos” ...
Dr. Pedro A Ynterian
Presidente, Projeto GAP Internacional
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