Curiosidades - Informações
A magia do Dia das Mães
SANTUÁRIO DE SOROCABA
Talvez a história mais terrível da vida miserável dos chimpanzés em mãos de humanos é o roubo de seus bebês, praticado no Brasil e no mundo, para serem vendidos, permutados ou simplesmente criados em outros locais. Cada mãe chimpanzé que chegou ao Santuário nestes 10 anos e que sofreu com o roubo de seus bebês, quando tinham o seu no Santuário, o escondiam como um tesouro, para que os humanos que estavam presentes não fossem repetir a história já vivida.
Quando Samantha, com 10 anos de idade, teve Sofia sem experiência de mãe, tentamos durante horas que ela assumisse a maternidade, porém quando o risco de morte rondava Sofia e com dor tivemos que retirá-la da mãe e criá-la, como fizemos muitos anos atrás, com outros bebês que foram retirados de suas mães por interesses comerciais.
Sofia completou um ano no dia 28 de abril passado. Durante todos estes meses, quase diariamente, a mostramos ao seu pai Guga e à sua mãe Samantha. Nestes 12 meses Samantha ficou grávida novamente e nos próximos dias ganhará um novo bebê. Samantha sempre foi delicada com os chimpanzés menores e quando Carolina chegou ao Santuário anos atrás, com menos de 1 ano de idade, e ficaram juntas. Samantha acompanhava Carolina por todo lado mas não a tocava. Parecia que ela achava que Carolina era um cristal que se a tocasse, desmancharia. Sua reação foi a mesma com Sofia. Samantha ficou mais de 10 horas com ela, envolta em tecidos, porém não tocava o seu corpo, só no embrulho, que levava de um lado para outro, especialmente quando ela chorava.
A nossa preocupação é que Samantha repita o comportamento com o segundo bebê. Achamos que Sofia percebeu a nossa preocupação e tomou uma decisão justamente no Dia das Mães. No domingo passado, ela quis entrar no setor que dá acesso ao corredor da maternidade, onde Samantha está isolada e nos permitimos a sua entrada. Ela foi direto à grade da porta e chamou a mãe. Nunca as tínhamos deixado sozinhas, sem segurar as mãos e o corpo de Sofia. Não sabíamos o que poderia acontecer. Porém, a magia desse dia talvez e a decisão de Sofia, que deu as costas para a mãe, como um sinal de confiança, ou seja, que confia em alguém (assim é no mundo chimpanzé, para os humanos dar as costas tem significado oposto). Samantha a examinou, ela colocou as mãos pela grade e a mãe examinou suas unhas, seus braços. Nós que estávamos próximos, contínhamos a nossa ansiedade e medo, mas esse dia mágico – Dia das Mães - uniu mãe adolescente com a filha abandonada e juntas se abraçaram para que de agora em diante, nunca mais os humanos terão que separar.
Dr. Pedro A Ynterian
Presidente, Projeto GAP Internacional
Talvez a história mais terrível da vida miserável dos chimpanzés em mãos de humanos é o roubo de seus bebês, praticado no Brasil e no mundo, para serem vendidos, permutados ou simplesmente criados em outros locais. Cada mãe chimpanzé que chegou ao Santuário nestes 10 anos e que sofreu com o roubo de seus bebês, quando tinham o seu no Santuário, o escondiam como um tesouro, para que os humanos que estavam presentes não fossem repetir a história já vivida.
Quando Samantha, com 10 anos de idade, teve Sofia sem experiência de mãe, tentamos durante horas que ela assumisse a maternidade, porém quando o risco de morte rondava Sofia e com dor tivemos que retirá-la da mãe e criá-la, como fizemos muitos anos atrás, com outros bebês que foram retirados de suas mães por interesses comerciais.
Sofia completou um ano no dia 28 de abril passado. Durante todos estes meses, quase diariamente, a mostramos ao seu pai Guga e à sua mãe Samantha. Nestes 12 meses Samantha ficou grávida novamente e nos próximos dias ganhará um novo bebê. Samantha sempre foi delicada com os chimpanzés menores e quando Carolina chegou ao Santuário anos atrás, com menos de 1 ano de idade, e ficaram juntas. Samantha acompanhava Carolina por todo lado mas não a tocava. Parecia que ela achava que Carolina era um cristal que se a tocasse, desmancharia. Sua reação foi a mesma com Sofia. Samantha ficou mais de 10 horas com ela, envolta em tecidos, porém não tocava o seu corpo, só no embrulho, que levava de um lado para outro, especialmente quando ela chorava.
A nossa preocupação é que Samantha repita o comportamento com o segundo bebê. Achamos que Sofia percebeu a nossa preocupação e tomou uma decisão justamente no Dia das Mães. No domingo passado, ela quis entrar no setor que dá acesso ao corredor da maternidade, onde Samantha está isolada e nos permitimos a sua entrada. Ela foi direto à grade da porta e chamou a mãe. Nunca as tínhamos deixado sozinhas, sem segurar as mãos e o corpo de Sofia. Não sabíamos o que poderia acontecer. Porém, a magia desse dia talvez e a decisão de Sofia, que deu as costas para a mãe, como um sinal de confiança, ou seja, que confia em alguém (assim é no mundo chimpanzé, para os humanos dar as costas tem significado oposto). Samantha a examinou, ela colocou as mãos pela grade e a mãe examinou suas unhas, seus braços. Nós que estávamos próximos, contínhamos a nossa ansiedade e medo, mas esse dia mágico – Dia das Mães - uniu mãe adolescente com a filha abandonada e juntas se abraçaram para que de agora em diante, nunca mais os humanos terão que separar.
Dr. Pedro A Ynterian
Presidente, Projeto GAP Internacional















