Curiosidades - Informações
Fuga na tempestade
SANTUÁRIO DE SOROCABA
Sorocaba mergulhou numa tempestade de chuva e vento, como há muitos anos não se via, na segunda-feira passada, dia 13 de dezembro. Árvores caíram, a energia elétrica acabou por tempo prolongado, telhados voaram e muros caíram, e a água tomou conta de todos os cantos do município. No Santuário de Grandes Primatas não foi diferente. Porém, o que foi tragédia para muitos foi alegria para Noel e Carlos, chimpanzés do grupo original de Guga, que fundou o Santuário. Isso porque eles tiveram horas de liberdade, para visitar os seus amigos.
Eles moram no maior recinto do Santuário, com 14 mil metros quadrados, rodeados de árvores. Uma dessas árvores desabou junto a um muro e um frondoso galho de 5 metros caiu dentro do recinto. Passado o vento, eles viram a chance de sair no fundo do recinto. Foram lá, subiram em poucos minutos e se encaminharam ao recinto dos seus antigos amigos.
Uma gritaria se desatou, quando os sete chimpanzés do grupo de Guga viram Noel e Carlos chamando-os de fora, soltos para ir e vir. Dado o sinal de alerta por mim, quando os encontrei soltos, todos que ainda estavam no Santuário foram levados para o “quarto de pânico”, dentro da casa principal, enquanto eu tentava convencer ou enganar ambos fugitivos a voltar para sua “prisão”.
A chuva continuava golpeando todos. Consegui primeiro prender Carlos, que entrou na Escolinha para cumprimentar seus ex-companheiros, que se abraçaram e se beijaram. Antes andei com eles uma hora por parte do Santuário, em meio a uma gritaria generalizada que vinha de todos os recintos, daqueles que não conheciam os “fugitivos”.
Aí fiquei sozinho com Noel. Ele jogou um galho na égua que tem seu cercado no meio do caminho e voltou a visitar os recintos mais próximos. Porém, cometeu um erro grave, apesar de que falei que tivesse cuidado, quando se aproximou a uma das janelas de Billy Grande, que odeia chimpanzés, e estava irritado porque Noel estava me fazendo passar por todo aquele trabalho no meio da chuva. Noel foi cumprimentá-lo, mas Billy puxou seus braços para dentro e o mordeu nas mãos com força. Noel gritou de dor e tentou desvencilhar-se do controle de Billy, até que conseguiu. Sangrava um pouco na boca e tinha um ou dois dedos machucados. Agora, estava acuado, percebeu que era perigoso mexer com outros companheiros do Santuário e que tinham problemas mentais. Continuou a andar e eu fui procurar uma seringa com anestésico para usá-la, caso necessário. Noel sumiu na mata, atrás do recinto de Billy a caminho do seu recinto. Pinho e Alex me indicaram por onde ele tinha fugido. Voltei ao seu recinto e comecei a chamá-lo. Aí o vi caminhando em equilíbrio perfeito pela parede do recinto, entrei no mesmo e o chamei. Poor onde ele saiu ele entrou, ferido e com dor. Entrei com ele no dormitório, onde se jogou no chão mostrando sua exaustão.
Carlos dormiu na Escolinha, onde entrei com Carolina, para que o ajudasse a reintegrar-se ao grupo, visto que no dia seguinte voltaria a confraternizar com seus antigos amigos.
As horas de liberdade, fora todo o estresse que passamos e a chuva que invadiu nosso corpo, também tiveram um preço para Noel, que agora lambe suas feridas, sem gravidade, porém, que o marcaram para sempre. O mundo externo que ele ansiava não é tão pacífico como parece e os perigos que lhe aguardam são bem maiores que o cativeiro seguro onde ele atualmente vive.
Talvez agora ele aprenda que a liberdade tem um preço e no caso dos chimpanzés, infelizmente, o mesmo é muito alto e pode custar-lhes a vida.
Dr. Pedro A. Ynterian
Presidente, Projeto GAP Internacional
Vídeo relacionado:
[16/12/2010] Carlos retorna ao grupo do Guga
Sorocaba mergulhou numa tempestade de chuva e vento, como há muitos anos não se via, na segunda-feira passada, dia 13 de dezembro. Árvores caíram, a energia elétrica acabou por tempo prolongado, telhados voaram e muros caíram, e a água tomou conta de todos os cantos do município. No Santuário de Grandes Primatas não foi diferente. Porém, o que foi tragédia para muitos foi alegria para Noel e Carlos, chimpanzés do grupo original de Guga, que fundou o Santuário. Isso porque eles tiveram horas de liberdade, para visitar os seus amigos.
Eles moram no maior recinto do Santuário, com 14 mil metros quadrados, rodeados de árvores. Uma dessas árvores desabou junto a um muro e um frondoso galho de 5 metros caiu dentro do recinto. Passado o vento, eles viram a chance de sair no fundo do recinto. Foram lá, subiram em poucos minutos e se encaminharam ao recinto dos seus antigos amigos.
Uma gritaria se desatou, quando os sete chimpanzés do grupo de Guga viram Noel e Carlos chamando-os de fora, soltos para ir e vir. Dado o sinal de alerta por mim, quando os encontrei soltos, todos que ainda estavam no Santuário foram levados para o “quarto de pânico”, dentro da casa principal, enquanto eu tentava convencer ou enganar ambos fugitivos a voltar para sua “prisão”.
A chuva continuava golpeando todos. Consegui primeiro prender Carlos, que entrou na Escolinha para cumprimentar seus ex-companheiros, que se abraçaram e se beijaram. Antes andei com eles uma hora por parte do Santuário, em meio a uma gritaria generalizada que vinha de todos os recintos, daqueles que não conheciam os “fugitivos”.
Aí fiquei sozinho com Noel. Ele jogou um galho na égua que tem seu cercado no meio do caminho e voltou a visitar os recintos mais próximos. Porém, cometeu um erro grave, apesar de que falei que tivesse cuidado, quando se aproximou a uma das janelas de Billy Grande, que odeia chimpanzés, e estava irritado porque Noel estava me fazendo passar por todo aquele trabalho no meio da chuva. Noel foi cumprimentá-lo, mas Billy puxou seus braços para dentro e o mordeu nas mãos com força. Noel gritou de dor e tentou desvencilhar-se do controle de Billy, até que conseguiu. Sangrava um pouco na boca e tinha um ou dois dedos machucados. Agora, estava acuado, percebeu que era perigoso mexer com outros companheiros do Santuário e que tinham problemas mentais. Continuou a andar e eu fui procurar uma seringa com anestésico para usá-la, caso necessário. Noel sumiu na mata, atrás do recinto de Billy a caminho do seu recinto. Pinho e Alex me indicaram por onde ele tinha fugido. Voltei ao seu recinto e comecei a chamá-lo. Aí o vi caminhando em equilíbrio perfeito pela parede do recinto, entrei no mesmo e o chamei. Poor onde ele saiu ele entrou, ferido e com dor. Entrei com ele no dormitório, onde se jogou no chão mostrando sua exaustão.
Carlos dormiu na Escolinha, onde entrei com Carolina, para que o ajudasse a reintegrar-se ao grupo, visto que no dia seguinte voltaria a confraternizar com seus antigos amigos.
As horas de liberdade, fora todo o estresse que passamos e a chuva que invadiu nosso corpo, também tiveram um preço para Noel, que agora lambe suas feridas, sem gravidade, porém, que o marcaram para sempre. O mundo externo que ele ansiava não é tão pacífico como parece e os perigos que lhe aguardam são bem maiores que o cativeiro seguro onde ele atualmente vive.
Talvez agora ele aprenda que a liberdade tem um preço e no caso dos chimpanzés, infelizmente, o mesmo é muito alto e pode custar-lhes a vida.
Dr. Pedro A. Ynterian
Presidente, Projeto GAP Internacional
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[16/12/2010] Carlos retorna ao grupo do Guga





