Projeto GAP

Curiosidades - Informações

Somos como vivemos

Tat com Marcelino e pai Peter
 
Tat com Marcelino e pai Peter
Ditty e Pedrinho
 
Ditty e Pedrinho

SANTUÁRIO DE SOROCABA

Pelo que se lê em referências bibliográficas, na natureza, os filhotes de chimpanzés ficam juntos de suas mães até por volta dos 5 anos de idade. Nesse tempo passam quase que todo o tempo agarrados ao ventre delas, sendo que a partir do 5 meses a 1 ano de idade, sobem para as costas. No ventre, a mãe possui um maior controle sobre sua cria e, conseqüentemente, é capaz de oferecer maior proteção à prole. Já nas costas, o filhote fica mais exposto. De maneira geral, em teoria, esse filhote só migra para às costas quando mais independente de sua mãe.
No Santuário de Sorocaba, em dois grupos distintos que foram contemplados com o nascimento de seus filhotes, pudemos observar situações distintas da maneira de cuidar de cada mãe.
Táta é uma mãe muito cuidadosa, atenta às situações. Pertence a um grupo composto por um macho (Peter), que é o pai de seu filho (Marcelino), e uma fêmea (Judy). Táta chegou grávida ao Santuário em 2007. Marcelino nasceu aqui e, desde então, tem-se desenvolvido muito bem no grupo, graças à constante atenção e cuidados de sua mãe. Hoje com pouco mais de um ano de vida, Marcelino esporadicamente sobe às costas de Táta, deslocando-se pelo recinto. Mesmo assim, é nítida a preferência dela por carregá-lo no ventre, mesmo com todo o tamanho e peso de seu filho. Quando mais novo, Marcelino era mais medroso, não desgrudando de sua mãe, temendo inclusive seu próprio pai. Hoje, porém, está mais independente, brinca sozinho, se solta da mãe e brinca bastante com seu pai. Táta, por sua vez, ainda defende o posto de mãe protetora, tomando seu filho no colo e até tirando-o de perto do pai quando a brincadeira parece se tornar mais pesada.
Esse comportamento materno pode ser justificado por dois motivos: o primeiro é que Peter, o pai, é muito ansioso e medroso e, sob qualquer nova situação estressante para ele (um carro diferente que passa pelo recinto, uma pessoa diferente que vai até seu recinto), acaba ficando muito nervoso e se irrita, manifestando sua ira e, conseqüentemente, colocando seu grupo em risco. Assim, Táta, responsável direta pelo filho, dobra sua atenção e mantém-se em constante alerta. O outro fator é o próprio histórico do grupo.  Provenientes de um extinto zoológico onde sofriam com o assédio do público e com condições irregulares, esses primatas trazem até hoje esses traumas, que desencadeiam modificações e manipulações em suas personalidades.
No outro grupo, Pedrinho, que tem pouco mais de 5 meses de idade, ao contrário de Marcelino, já caminha constantemente nas costas de sua mãe Ditty, só descendo até o ventre quando vai mamar. Outro aspecto curioso é que ele, apesar da pouca idade, já se alimenta sozinho e se aventura com certa distância de sua mãe e tem o cuidado e proteção de seu pai, Gilberto. Nesse grupo, esse comportamento entre outros dos demais integrantes, nos mostra que há maior segurança entre eles do que o grupo anteriormente citado. Mais uma vez, as justificativas são as mesmas: personalidade e histórico. Em relação à personalidade, Ditty é menos atenciosa do que Táta, fato este comprovado muitas vezes quando ela ?passava? a responsabilidade de cuidar do filho para sua outra filha Luiza, que cuidava dele e o carregava pelo recinto. Por outro lado, esse ?relaxamento? também pode estar relacionado com o histórico desse grupo, que ao contrário do outro, não era usado de maneira expositiva, mas sim como um grupo reprodutor de filhotes para comercialização dos mesmos, o que permitiu que esse grupo sempre mantivesse um certo equilíbrio, bem como suas características mais naturais, com seu macho dominante, três fêmeas e dois filhotes. O dano neste caso foi o trauma causado pelas inúmeras retiradas de filhotes do grupo.
Fica, portanto, a pergunta: esse ?desleixo? por parte de Ditty é fruto do sentimento de maior segurança no grupo e do grupo, ou pela falta de oportunidade de criar outros filhotes, já que tantos lhe forma arrancados?
Assim sendo, nota-se que, como sempre, ?cada caso é um caso?. Tanto a personalidade de cada mãe, como o histórico de cada, são fatores determinantes no desenvolvimento e cuidado para com seus filhos. Inevitável mais uma vez a comparação deles conosco, afinal, como já dissera outrora Rosseau, ?O homem é fruto do meio em que vive?. Por que não dizer, então, que ?SOMOS TODOS frutos do meio em que vivemos??

Luiz Fernando Leal Padulla
Biólogo
Santuário GAP/Sorocaba

SANTUÁRIO DE SOROCABA

SOMOS COMO VIVIMOS!

Por lo que se lee en las referencias bibliográficas, en la Naturaleza, los bebes chimpances se quedan junto a sus madres hasta los 5 años de edad. En ese tiempo pasan la mayor parte del tiempo agarrados al vientre de ella, y entre los 5 meses y 1 año de edad suben en sus espaldas. En el vientre, la madre posee un mayor control sobre el bebe, y consecuentemente, es capaz de ofrecerle mayor protección. En las espaldas el bebe queda mas expuesto. De manera general, en teoria, ese bebe migra para sus espaldas cuando se siente mas independiente de la madre.

En el Santuario en Sorocaba, en dos grupos que tuvieron nacimientos mas recientes, pudimos observar situaciones distintas en la forma que cada madre cuidaba de sus hijos.

Tata es una madre muy cuidadosa, y atenta a los acontecimientos. Pertenece a un grupo compuesto por un macho (Peter), que es el padre de su hijo Marcelino, y de una hembra (Judy). Tata llegó embarazada al Santuario en 2007. Marcelino nació aquí y, desde entonces, se ha desarrollado muy bien en el grupo, gracias al constante cuidado y atención de la madre. Hoy con un poco de mas de 1 año de vida Marcelino sube esporadicamente en las espaldas de su madre, que anda por el recinto. Sin embargo, es clara la preferencia de ella de llevarlo cargado en su vientre, mismo con todo el tamaño y peso que ya tiene. Cuando era mas joven Marcelino era mas miedoso, no se desligando de la madre, temiendo inclusive de su propio padre. Hoy él está mas independiente, juega solo, se separa de la madre y llega a jugar bastante con su padre. Tata, de todas formas, todavia actua como una madre protectora, tomandolo en su regazo, y gasta sacarlo de las cercanias del padre, cuando los juegos se convierten en mas intensos.

Ese comportamiento materno puede ser justificado por dos motivos: el primero, Peter, el padre, es muy inestable e impresionable, y sobre cualquer situación nueva de stress (como un carro que pasa, o una persona poco conocida que se aproxima al recinto), se altera e irrita, manifestando su ira, y colocando al grupo en riesgo de sus reacciones violentas. De esa forma, su madre, que es responsable directa por su hijo, dobla su atención y se mantiene en alerta constante. El otro factor es el propio historico del grupo. Provenientes de un zoologico cerrado donde sufrían el asedio del publico, y un tratamiento precario, esos primatas llevan esos traumas en su espiritu, que desencadenan reacciones y alteraciones en sus personalidades.

En el outro grupo, Pedrinho, que tiene poco mas de 5 meses de edad, al contrario de Marcelino ya camina constantemente en las espaldas de su madre Ditty, y solo pasa a su vientre cuando se va a alimentar. Otro aspecto curioso es que, a pesar de su poca edad, ya se alimenta solito y se aventura a cierta distancia de su madre teniendo el cuidado y protección de su padre Gilberto. En este grupo se muestra que existe mayor seguridad y estabilidad que el grupo de Peter. Mas una vez las justificativas son las mismas: personalidad e historico. En relación a la personalidad, Ditty és menos cuidadosa que Tata, hecho este corroborado muchas veces cuando llegaba a pasar la responsabilidad de cuidar del bebe para su otra hija Luiza, de 4 años de edad, que lo llevaba a pasear por el recinto. Por otro lado, este relajamiento de conducta también puede estar relacionado con el historico del grupo, que al contrario del otro no era usado para exhibición publica, sino como un grupo reproductor de bebes para comercialización, lo que permitía que ese grupo tuviese un equilibrio mayor, y sus caracteristicas tipicas, con un macho dominante, 3 hembras y dos bebes. El daño aquí fue la retirada constante de bebes de las madres.

Queda por tanto la pregunta: ese ?descuido? por parte de Ditty es fruto de la mayor seguridad y estabilidad dentro del grupo y del mismo en si, o por la falta de oportunidad de criar otros bebes, que le fueron arrancados al nacer?

Asi se nota, como siempre, que ?cada caso es un caso?. Tanto la personalidad de cada madre, como el historico de ellas, son factores determinantes en el desarrollo y cuidado para con sus hijos. Y es inevitable la comparación entre ellos y nosotros, al final de cuentas como dijera Rosseau ?el hombre és fruto del medio en que vive?. Y por que no decir, entonces, que ?SOMOS TODOS FRUTOS DEL MEDIO EN QUE VIVIMOS??

Luiz Fernando Leal Padulla
Biólogo
Santuário GAP/ Sorocaba ? SP ? Brasil