Curiosidades - Informações
Billy e suas três mães
Billy tem hoje 5 anos. Ele mora com o grupo de Guga integrado por 8 bebês chimpanzés e jovens. Billy nasceu em um zoológico e sua mãe Maria já faleceu. Com poucas semanas do seu nascimento a Dra. Cléa Lúcia Magalhães, membro do Projeto GAP, o levou para o Zoológico de Brasília, onde trabalhava na época. Lúcia, um ano antes, nos visitou e entregou a irmã maior de Billy, Carolina, também com poucos meses de vida. Desta vez Lúcia trouxe Billy e ela ficou também. Durante os primeiros anos da vida de Billy, o acompanhou como mãe adotiva humana, junto com Carolina. Lúcia voltou para Brasília, porém continuou acompanhando a vida de ambos irmãos, e os visitando quando possível.
Billy, já com três anos e meio, começou a mostrar sua personalidade hiperativa, não tinha cerca elétrica que o continha. Levava choque e pulava todas as cercas. Eu o levava na kombi para a mata, e ele ficava no banco de trás sozinho olhando para tudo, em pé como um adulto. Chegou um dia em que tivemos que tirá-lo da cerca e do convívio com a irmã e o grupo dos chimpanzés menores e colocá-lo em um recinto com muros, enquanto construíamos um recinto amplo com muros para todos desse grupo, que já começavam a pensar como adultos.
Billy, durante vários meses, ficou sozinho durante o dia, já que os demais estavam nos recintos de cerca, e ele os olhava pela janela. À tarde Dolores se juntava a ele e dormiam juntos, pois que ele tinha medo de ficar sozinho. A relação construída durante esses meses, desenvolveu um contato de mãe adotiva de Dolores ? que já tem 10 anos ? com Billy.
Quando transferimos todo o grupo para o novo recinto murado, a relação até se intensificou, já que Dolores devia proteger Billy de brigas e ações dos dominantes. Billy geralmente é briguento e ousado, e não tem medo de enfrentar uma briga, porém frente a Guga, Carlos e Emílio, ele pode ser machucado, aí Dolores entra em ação, e junto com as outras fêmeas, o defende.
Durante o dia, geralmente os machos do grupo vão para a cerca elétrica ligada com o recinto, Billy não pode ir e Dolores fica com ele. Ela poderia ir na cerca elétrica já que ela respeita a mesma, porém prefere ficar cuidando do seu filho adotivo e brincando com ele. Billy passa o dia todo em ação, acompanhando todo o movimento do Santuário. Dias atrás, vários bois entraram no Santuário de um sítio vizinho, e quando ele percebeu, subiu nas plataformas aéreas, e começou a gritar e fazer sinais para que os bois fossem embora, conseguindo atemorizar o gado.
Nos dias frios, no fim da tarde, Dolores prefere isolar-se em um dormitório para dormir tranqüila e livre do assédio dos machos. Muitas vezes convence Billy de acompanhá-la, apesar que Billy aprecia muito brincar com seus pares. Billy talvez é um dos poucos chimpanzés que perdendo sua mãe biológica muito cedo, teve a sorte de ter duas mães adotivas ? uma humana e outra chimpanzé ? que mitigaram a dor de ser órfão e deram o amor e carinho que ele tanto precisava.
Dr. Pedro A. Ynterian
Santuário de Sorocaba/ SP
SANTUARIO DE SOROCABA






