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17/11/2011

Agência Notícia Animal: Guga, um filhote que mudou a situação dos chimpanzés no Brasil

Dr. Pedro Ynterian com Sarah, uma das filhas de Guga (na foto abaixo)
 

Dr. Pedro Ynterian com Sarah, uma das filhas de Guga (na foto abaixo)

Chimpanzés (Pan troglodytes) e seres humanos são mais parecidos do que se imagina. Na verdade, a diferença é de apenas 0,6% do DNA. Sim, somos 99,4%! A semelhança é tanto, que temos os mesmos tipos sanguíneos e a transfusão de sangue entre as duas espécies é possível. Mas por que os tratamos como se fossem objetos? Por que o privamos da liberdade e os usamos para nosso entretenimento? Por que prendê-los sem nunca terem cometido crimes? Por que são acorrentados e obrigados a trabalharem em circos? Talvez porque não conhecemos bem esses símios ou porque ignoramos as semelhanças.

Guga, um chimpanzé, conseguiu há cerca de uma década quebrar este tabu e mostrar que precisamos respeitar esses animais inteligentíssimos. Adotado ainda filhote por Dr. Pedro Ynterian, foi criado como uma criança. Assistia televisão sentado ao sofá, comia doces e escovava os dentes. Conforme Guga ia crescendo, seu comportamento intrigava seu “pai”, que resolveu estudar mais sobre chimpanzés, e descobriu que, além das semelhanças e inteligência, são animais que precisam de cuidados especiais, como atenção, espaço, alimentação adequada e principalmente viver em grupos.

Ynterian começou então uma jornada para salvar todos os chimpanzés do país e criou o Santuário dos Grandes Primatas em Sorocaba, interior de São Paulo. Inicia assim uma verdadeira guerra contra circos, zoológicos e criadores. Grandes recintos foram construídos, veterinários contratados e a busca aos animais mau tratados tive início. Chimpanzés de todo o Brasil foram resgatados, alguns encontrados em péssimas condições e com sérias sequelas.

Guga, hoje adulto e pai de três filhotes


O chimpanzé é um animal social, muito ativo e com força equivalente a de dez homens, o que é um problema para quem tenta ter um de estimação ou treiná-lo para atividades de entretenimento. Prova disso, segundo Ynterian, é que os circos param de trabalhar com esses símios quando completam em média oito anos e ficam fortes e agressivos demais. Dr. Pedro diz que é um círculo vicioso, já que há acordos para que filhotes nascidos em zôos sejam encaminhados para circos, e essa separação familiar é traumatizante para o animal.

Muitos dos novos habitantes do Santuário chegam com sequelas físicas, como dentes arrancados e até mesmo cegos, mas as mais comuns e difíceis de serem tratadas são as psicológicas. Um chimpanzé afastado da família, vivendo solitário em cativeiro e à exibição do público apresenta sérios distúrbios mentais, como agressividade, desvios de comportamento, alucinações e impotência sexual. Muitos se automutilam e atacam outros macacos.

O santuário oferece, além de um local amplo e repleto de atividades para os animais, cuidados veterinários, tratamento para os traumas e auxílio psicológico. Muitos dos chimpanzés se recuperaram e vivem em bandos, outros ainda estão em tratamento e são medicados com antidepressivos.

O que começou com a adoção do pequeno Guga, que hoje é pai de três e vive em um bando social e de vida agitada, se tornou no maior santuário de chimpanzés do país e conseguiu acabar com a utilização destes animais nos circos. Prova do sucesso é que Dr. Pedro Ynterian é hoje o presidente do Great Apes Project (GAP), organização mundial para o fim do sofrimento dos cinco grandes primatas (chimpanzés, gorilas, orangotangos e bonobos). O Santuário dos Grandes Primatas conta hoje com 53 chimpanzés (além de outros animais como leões e ursos vindos de circos) e inspirou a criação de outros quatro santuários no país. Fazer a diferença é possível, não é fácil, mas basta querer e acreditar. Guga e Dr. Pedro estão aí para mostrar que é possível lutar pelos direitos dos animais. Que sirvam de exemplo.



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